O bio-óleo produzido via pirólise de biomassa é constituído de uma mistura complexa de hidrocarbonetos oxigenados e tem potencial para substituir combustíveis produzidos a partir de fontes fósseis. Para que ele seja utilizado com este fim, é necessário submetê-lo a processos de melhoramento, de forma a diminuir o teor de oxigênio, aumentar o poder calorífico, e adequar outras propriedades físico-químicas relevantes. O processo catalítico mais promissor através do qual as propriedades físico-químicas do bio-óleo são alteradas é a hidrodesoxigenação (HDO), realizada na presença de hidrogênio e um catalisador específico. Catalisadores bifuncionais são comumente empregados em HDO, com a ativação das moléculas oxigenadas acontecendo em óxidos de metais de transição ou em sítios ácidos do suporte, e a doação de espécies H (provenientes da ativação do H2) acontecendo em sítios metálicos. Um problema do processo HDO é a desativação do catalisador por deposição de carbono, que está ligada à acidez do suporte e à natureza da molécula reagente. Sítios ácidos de Brønsted doam prótons para as moléculas, transformando-as em carbocátions, que são precursores de coque. Isto é um problema, pois o mesmo sítio ácido que desativa o catalisador é também essencial para a ativação das moléculas oxigenadas. Estas observações abrem caminho para a utilização de catalisadores neutros, como aqueles suportados em carbono. Este projeto de pesquisa visa estudar o mecanismo de desativação por carbono em reações de HDO utilizando catalisadores sintetizados por carbonização de estruturas zeolíticas de imidazol (ZIFs). O procedimento gera nanopartículas bem dispersas em uma matriz de carbono, com boa estabilidade térmica e química. Os resultados poderão contribuir para o entendimento, divulgação e geração de conhecimento em uma área tecnológica promissora, capaz de colocar o país em posição de vanguarda na produção de combustíveis renováveis.